terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Resenha HQ: Árabe do Futuro


Você quer conhecer um pouco mais sobre os povos árabes? Islamismo? Líbia de Kadafi? Síria de Assad? Quer perder um pouco do preconceito ocidental sobre estas culturas? Mas ainda assim quer se divertir com estas histórias?
Leia "O Árabe do Futuro" de Riad Sattouf, uma ótima HQ sobre um tema extremamente atual é relevante!

Resenha HQ: Pílulas Azuis


Imagine você se apaixonando por alguém,
Imagine este “alguém” lhe dizendo que está com AIDS…
Imagine você se despindo de todos os preconceitos e enfrentando todos os desafios para ficar com esta pessoa
Imagine que, além de tudo isso, este alguém tenha um filho, um bebezinho, e este também tenha o vírus HIV
Imagine que mesmo assim, você, olhe para estas duas pessoas e não sinta PENA e consiga enfrentar todos os desafios e ter a plena consciência de que tudo está valendo a PENA!
Imagine que a doença, apesar de todos os constrangimentos e sofrimentos que ela impõe, depois de um certo tempo nem seja notada e que ela te ensine a aproveitar as coisas e os momentos que um dia acabarão, mas que talvez sem a doença, você não aproveitaria.
Imagine que todo este drama tenha começado ainda nos anos 90, num período em que as informações e o medo da doença fossem a tônica
Imagine agora que esta pessoa seja capaz de colocar sua história no papel, de roteirizá-la e desenhá-la e, ainda por cima, publicá-la de uma maneira sensível e desconfortavelmente sincera!
Pois então, agora, deixe de imaginar e leia a HQ: “Pílulas Azuis”!
Depois de lê-la, garanto-lhe, você terá combatido dois preconceitos, um mais importante: sobre o HIV, gerado pelo medo e a desinformação sobre a doença,
E o outro: contra os gibis!

Resenha HQ: Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá



Há muito uma história não me emocionava tanto.
Daytripper dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá consegue nos colocar um nó na garganta como um "Olhai os Lírios do Campo" de Veríssimo, tem o simbolismo similar a um "Iracema" de José de Alencar e é extremamente tocante e singelo como um "Paixão de segundo GH" de Clarice Lispector.
Quando abri a HQ, mergulhei em um universo de traços, cores, silêncios, sentimentos e algumas palavras justas e marcantes que nos revelam pouco a pouco uma narrativa filosófica sobre a vida e a morte.
Tão belo e significativo como aproveitar cada instante da nossa vida por saber ou não saber que pode ser o último.
E nisso, nesta efemeridade da vida reside todo o milagre e também toda a magia desta Graphic Novel.
É com certeza uma das coisas mais belas que li este ano!

sábado, 22 de outubro de 2016

Joãozinho e a PEC-241





Na sala de aula, depois do sinal de saída, o Joãozinho me perguntou: professor esta tal de PEC 241 é realmente ruim para educação? Meu pai fala que é, meu tio fala que não, quem está certo? Minha avó já não aguenta mais ver os dois filhos discutirem.

Depois de uma fração de segundos pensando (para mim) e uma eternidade para Joãozinho (imagino eu), resolvi explicar assim:
Joãozinho vou te contar uma história, preste atenção!

Havia um funcionário que trabalhava numa loja e recebia 18 por cento do faturamento.
Tudo ia bem, a cada ano, o faturamento aumentava, foi assim por uns 10 anos.
Mas o período das “vacas magras” chegou e o faturamento da loja foi diminuindo, isso era ruim também para o funcionário, pois seus 18 por cento valia bem menos agora.
Teve ano que seus 18% equivalia a 10000, agora só valia 7000.
Foi aí que o dono da loja teve uma ideia e disse ao funcionário: o seu salário agora não será mais 18 por cento do faturamento, será 7000 mais a inflação do período, certo?
O funcionário, pego de surpresa e temendo que o faturamento continuasse a cair, respondeu afirmativamente: tudo bem.
Mas será assim por 20 anos ou quando achar que devo alterar, certo?
Ahh, (inseguro) tudo bem, certo.
No ano seguinte, o faturamento da loja caiu um pouquinho, mas como o salário do funcionário não se baseava mais no percentual do faturamento, ele recebeu os 7.000 + 10 % da inflação e ficou satisfeito com os 7.700.
Mas no outro ano, o faturamento aumentou de cerca de 39.000 para 50.000, o que na regra antiga (18%) daria ao funcionário um salário de 9.000, mas na regra atual e como a inflação do período foi de 5%, ele recebeu apenas 7.350.
Joãozinho, qual a regra salarial você escolheria, se pudesse? Joãozinho, que é muito inteligente, respondeu:
Depende, professor. Se o faturamento da loja continuar a cair, eu prefiro os 7.000 + inflação, mas se o faturamento da loja aumentar eu prefiro a porcentagem dos 18%. (Sorridente).
Mas será que você imagina por que o dono da loja propôs esta mudança, Joãozinho?
Eu acho que sei… (franziu a testa). Por que ele previa que o faturamento não iria diminuir e poderia até aumentar?
Isso mesmo Joãozinho, nesta nova regra, mesmo que o faturamento da loja aumente, o salário do funcionário continuará o mesmo, sendo apenas reajustado conforme inflação, mas sem aumento real.

Ah, Professor… Enquanto você contava esta história, eu me perguntava qual seria a sua motivação, pois para mim, até então, ela não tinha nada a ver com a pegunta sobre a  PEC 241, que faz meu tio e pai discutirem tanto; pensei até que você estivesse me enrolando por não saber a resposta, mas agora eu saquei, o funcionário é a educação, a loja é o Brasil e o dono da loja são os governos, certo?

Isso mesmo Pedrinho!
Mas me diga, quem está com a razão, o seu pai ou o seu tio?